Há épocas do ano, especialmente neste tempo de passagem, em que o mundo parece falar alto demais.
Tudo pede pressa.
Tudo quer ser resolvido, respondido, celebrado, concluído.
São listas, balanços, encontros marcados, mensagens acumuladas, despedidas apressadas, promessas lançadas para um tempo que ainda nem chegou.
E, no meio disso tudo, às vezes algo em nós pergunta em voz baixa:
precisa mesmo ser assim?
Talvez o fim de um ano e o início de outro não peçam essa corrida desenfreada.
Talvez não exijam grandes arrumações, nem conclusões definitivas.
Talvez peçam apenas presença.
Talvez peçam que a gente permaneça um pouco mais onde está, sentindo o que ainda vive.
Aprendi, vivenciando a Abordagem Centrada na Pessoa, que o crescimento verdadeiro não nasce da pressão, mas da liberdade de confiar. Confiar que podemos escutar o próprio ritmo, respeitar os tempos internos e escolher caminhos que façam sentido para nós.
Dessa confiança brota algo especial: a possibilidade de caminhar com mais autoria na própria travessia.
E se este tempo de passagem for menos um fechamento e mais um reconhecimento?
Reconhecer onde estamos.
O que permanece.
O que já não precisa ser carregado.
O que, mesmo cansado, ainda pulsa.
E se o começo que se anuncia não vier como novidade obrigatória, mas como continuidade do que já nos sustenta? Continuar sendo, com mais verdade, nas relações que aquecem, nos espaços que acolhem, nas escolhas que nos iluminam por dentro.
Diminuir os ruídos, desacelerar o passo, encontrar um ritmo próprio não é negar o mundo. É, talvez, uma forma mais gentil de habitá-lo. Uma maneira de cuidar da vida para que ela siga viva, inteira, possível.
O mundo tem o seu compasso.
E nós podemos escolher, na medida do possível, o nosso.
Que possamos atravessar este tempo com mais delicadeza.
Com menos exigência.
Com atenção ao que pede pausa, cuidado e presença.
Que o ano que chega não nos cobre respostas prontas, mas ofereça chão fértil para seguirmos construindo, pouco a pouco, aquilo que nos faz sentido.
Aqui, no CPHMINAS, seguimos acreditando que o humano floresce quando encontra um ambiente facilitador. Um lugar onde não é preciso provar nada. Onde é possível descansar, sentir, respeitar e escolher.
Que este fim e este começo sejam menos feitos de pressa
e mais feitos de presença.
Com afeto,
Dalissa Vieira
Psicóloga • Coordenadora do CPHMINAS 💙





